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Trump publica imagem da Groenlândia como base aérea dos EUA e reacende disputa pelo Ártico

Publicação na Truth Social mostra território dinamarquês com bandeira americana e a frase 'Welcome to Greenland'; acordo de segurança assinado em setembro ainda aguarda ratificação.

Imagem colorida de TrumpFoto: Reprodução/White House
RN
Raphael Nogueira Felix
1 de novembro de 202607:32
Atualizado há 3 horas às 10:32

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgou neste sábado (31/10) uma imagem em sua rede social, a Truth Social, na qual a Groenlândia aparece representada como uma base aérea militar norte-americana, acompanhada de uma grande bandeira dos EUA. A postagem não traz legenda, apenas a frase «Welcome to Greenland» (Bem-vindos à Groenlândia), escrita sobre o mapa do território.

A Groenlândia é um território autônomo pertencente ao Reino da Dinamarca, com população de cerca de 57 mil habitantes, parlamento, primeiro-ministro, governo local, língua e bandeira próprios. Cabe ao governo dinamarquês a responsabilidade por áreas como defesa militar e política externa, além do envio anual de subsídios que ajudam a sustentar a economia local.

A publicação ocorre semanas após Trump assinar, em 22 de setembro, o Acordo de Segurança do Ártico, na sede da ONU. O tratado prevê a instalação de bases militares na ilha e restrições a investidores externos, mas ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos da Dinamarca e da Groenlândia para entrar em vigor.

Com 2.166.086 km², a Groenlândia é a maior ilha do mundo, sendo cerca de 80% coberta por gelo. O interesse estratégico do território inclui reservas significativas de terras raras e metais essenciais, além de uma posição geográfica dominante no Ártico. O aquecimento global pode abrir novas rotas marítimas na região, ampliando a relevância do local.

Durante seu primeiro mandato, Trump manifestou publicamente a intenção de comprar a Groenlândia da Dinamarca, comparando a operação a «um grande negócio imobiliário». Na época, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, classificou a ideia como «absurda» e afirmou que a ilha não estava à venda.

Já no segundo mandato, a aquisição do território tornou-se prioridade declarada da política externa americana, vinculada à segurança nacional dos EUA. Trump chegou a enviar um representante especial, Jeff Landry, para preparar uma possível integração, e, entre o fim de 2025 e o início de 2026, ameaçou a Dinamarca e aliados europeus com tarifas elevadas, afirmando que buscaria o controle «por bem ou por mal».

A resistência da população local, do parlamento groenlandês e do governo dinamarquês levou à negociação do acordo de segurança, visto como uma alternativa para evitar um confronto direto com a Otan. O texto, no entanto, ainda depende de aprovação parlamentar nos dois países.

A soberania dinamarquesa sobre a Groenlândia e o direito de autodeterminação do povo groenlandês foram formalmente reafirmados no acordo, segundo o texto divulgado. A publicação deste sábado reforça a estratégia de Trump de manter o tema no debate público enquanto o tratado aguarda ratificação.

Procurados, representantes do governo dinamarquês e do parlamento da Groenlândia não se manifestaram até a publicação desta reportagem. O governo americano também não detalhou o teor da imagem divulgada.

Fonte de referência: Mundo – Metrópoles — https://metropoles.com/mundo/trump-posta-imagem-da-groenlandia-como-sendo-base-aerea-militar-dos-eua

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