UrgenteCorregedoria apura suspeita de vazamento de dados por investigador em caso de influenciador fitness
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Sao Paulo

Corregedoria apura suspeita de vazamento de dados por investigador em caso de influenciador fitness

André Dziuba, investigador da Polícia Civil de São Paulo, é alvo de procedimento interno por suposto favorecimento a Renato Cariani em inquéritos sobre tráfico de drogas.

Julgamento de recurso de Renato Cariani tem data marcada pelo STFFoto: Instagram/Reprodução
RN
Raphael Nogueira Felix
1 de novembro de 202616:25
Atualizado agora há pouco às 19:25

A Corregedoria Geral da Polícia Civil de São Paulo instaurou procedimento para apurar a conduta do investigador André Dziuba, suspeito de repassar informações sigilosas e de atuar em favor do influenciador fitness Renato Cariani em investigações criminais. O caso ganhou repercussão após o Ministério Público de São Paulo (MPSP) apresentar alegações finais no processo em que Cariani é réu por tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.

De acordo com as alegações do MPSP, Dziuba e Cariani mantinham contato frequente por aplicativo de mensagens, com troca de favores que ultrapassava a relação profissional. O documento aponta que o policial solicitava ao empresário, inclusive, suplementos para tratamento de um problema no joelho, enquanto recorria a ele para obter auxílio ou informações sobre fiscalizações relacionadas às suas funções.

A Promotoria sustenta que o investigador compartilhava com o influenciador dados sobre fiscalizações no setor de suplementos, área de atuação de Cariani. Além disso, Dziuba teria colaborado para esvaziar e arquivar um inquérito anterior contra o empresário, que tramitava na 2ª Vara Criminal de Diadema e tinha natureza semelhante à investigação atual.

O Ministério Público pediu a condenação de Renato Cariani, Fábio Spinola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. Segundo o MPSP, os três seriam responsáveis pelo desvio de 12 toneladas de insumos químicos destinados à produção de 15 toneladas de drogas, como crack e cocaína.

Procurada pela reportagem, a defesa de André Dziuba não foi localizada até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.

Em nota, a Polícia Civil informou que os fatos serão apurados por meio de procedimento correcional próprio conduzido pela Corregedoria Geral, com «produção técnica de conhecimento, oitivas, análises e diligências, garantindo rigor, precisão e legalidade na verificação dos acontecimentos». A corporação afirmou ainda que «reafirma seu compromisso com a transparência, legalidade, integridade e a correta e necessária elucidação dos fatos, permanecendo à disposição para prestar informações necessárias».

O caso envolvendo o policial veio à tona no contexto das alegações finais do processo criminal contra Cariani, que se tornou um dos nomes mais conhecidos do segmento fitness nas redes sociais. A investigação sobre a conduta de Dziuba corre em paralelo ao julgamento do influenciador e pode desdobrar em medidas administrativas e criminais.

A apuração interna da Corregedoria busca esclarecer se houve violação de sigilo funcional e favorecimento indevido. O procedimento correcional é autônomo em relação à ação penal e pode resultar em sanções disciplinares ao servidor, além de eventuais encaminhamentos à Justiça.

O MPSP não detalhou publicamente o teor completo das mensagens trocadas entre o policial e o empresário, mas indicou que elas compõem o conjunto de provas que embasam o pedido de condenação. A defesa de Cariani e dos demais réus não se manifestou na reportagem.

A reportagem tentou contato com a defesa de André Dziuba em diferentes horários, sem retorno até o fechamento do texto. Caso haja posicionamento, o conteúdo será atualizado.

Fonte de referência: São Paulo – Metrópoles — https://metropoles.com/sao-paulo/quem-e-o-policial-investigado-por-ter-favorecido-cariani-em-inqueritos

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