Um estudo clínico de fase 3 conduzido pela farmacêutica Eli Lilly indicou que a retatrutida, medicamento experimental para diabetes tipo 2 e obesidade, proporcionou perda de peso e redução da glicose mais acentuadas do que o Ozempic (semaglutida). Os dados foram divulgados pela fabricante nesta quarta-feira (28/10).
O ensaio, denominado Transcend-T2D-2, acompanhou 1.298 adultos com diabetes tipo 2 ao longo de 80 semanas. Os participantes receberam aplicações semanais de retatrutida nas doses de 9 mg ou 12 mg, comparadas a 2 mg de Ozempic.
A perda média de peso foi de 20,1 kg com a dose menor de retatrutida e de 21,5 kg com a dose maior, enquanto o grupo tratado com Ozempic registrou redução de 9,5 kg. Os números se referem à média entre os participantes que concluíram o período de análise.
No controle glicêmico, a hemoglobina glicada (HbA1c) apresentou queda de 2,2 pontos percentuais com as duas doses de retatrutida, contra 1,8 ponto percentual no grupo que usou Ozempic. A HbA1c é um dos principais parâmetros para avaliar o controle do diabetes a médio prazo.
Os efeitos adversos mais relatados em ambos os grupos foram gastrointestinais, como diarreia, náusea, constipação e vômitos. A proporção de interrupções do tratamento devido a esses eventos foi maior entre os participantes que receberam retatrutida, segundo o comunicado da empresa.
A retatrutida ainda não possui aprovação de agências reguladoras, incluindo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os resultados completos do estudo serão apresentados em congresso científico e submetidos à publicação em revista com revisão por pares, conforme informou a Eli Lilly.
O Ozempic é aprovado no Brasil desde janeiro de 2019 para o tratamento de diabetes tipo 2. Seu princípio ativo, a semaglutida, também é comercializado em dose mais alta sob o nome Wegovy, com indicação específica para obesidade. O uso para perda de peso fora das indicações aprovadas é considerado off label.
A divulgação dos dados ocorre em um contexto de crescente interesse por medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1, que têm sido amplamente prescritos para controle glicêmico e redução de peso. A comparação entre diferentes moléculas ainda depende de análises independentes e de revisão pela comunidade científica.
A empresa não informou prazos para solicitar registro do medicamento às autoridades sanitárias. A expectativa é que os dados completos tragam mais detalhes sobre segurança e eficácia em subgrupos específicos de pacientes.
Procurada, a Anvisa não se manifestou até a publicação desta reportagem sobre eventuais pedidos de aprovação da retatrutida no país.
Fonte de referência: Saúde – Metrópoles — https://metropoles.com/saude/ainda-sem-aprovacao-retatrutida-supera-ozempic-em-estudo-clinico

