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Retatrutida supera Ozempic em perda de peso e controle glicêmico, aponta estudo da Eli Lilly

Medicamento experimental da Eli Lilly mostrou resultados superiores ao Ozempic em adultos com diabetes tipo 2, mas ainda não tem aprovação regulatória.

Ainda sem aprovação, retatrutida supera Ozempic em estudo clínico
RN
Raphael Nogueira Felix
1 de novembro de 202608:20
Atualizado há 4 horas às 11:20

Um estudo clínico de fase 3 conduzido pela farmacêutica Eli Lilly indicou que a retatrutida, medicamento experimental para diabetes tipo 2 e obesidade, proporcionou perda de peso e redução da glicose mais acentuadas do que o Ozempic (semaglutida). Os dados foram divulgados pela fabricante nesta quarta-feira (28/10).

O ensaio, denominado Transcend-T2D-2, acompanhou 1.298 adultos com diabetes tipo 2 ao longo de 80 semanas. Os participantes receberam aplicações semanais de retatrutida nas doses de 9 mg ou 12 mg, comparadas a 2 mg de Ozempic.

A perda média de peso foi de 20,1 kg com a dose menor de retatrutida e de 21,5 kg com a dose maior, enquanto o grupo tratado com Ozempic registrou redução de 9,5 kg. Os números se referem à média entre os participantes que concluíram o período de análise.

No controle glicêmico, a hemoglobina glicada (HbA1c) apresentou queda de 2,2 pontos percentuais com as duas doses de retatrutida, contra 1,8 ponto percentual no grupo que usou Ozempic. A HbA1c é um dos principais parâmetros para avaliar o controle do diabetes a médio prazo.

Os efeitos adversos mais relatados em ambos os grupos foram gastrointestinais, como diarreia, náusea, constipação e vômitos. A proporção de interrupções do tratamento devido a esses eventos foi maior entre os participantes que receberam retatrutida, segundo o comunicado da empresa.

A retatrutida ainda não possui aprovação de agências reguladoras, incluindo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os resultados completos do estudo serão apresentados em congresso científico e submetidos à publicação em revista com revisão por pares, conforme informou a Eli Lilly.

O Ozempic é aprovado no Brasil desde janeiro de 2019 para o tratamento de diabetes tipo 2. Seu princípio ativo, a semaglutida, também é comercializado em dose mais alta sob o nome Wegovy, com indicação específica para obesidade. O uso para perda de peso fora das indicações aprovadas é considerado off label.

A divulgação dos dados ocorre em um contexto de crescente interesse por medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1, que têm sido amplamente prescritos para controle glicêmico e redução de peso. A comparação entre diferentes moléculas ainda depende de análises independentes e de revisão pela comunidade científica.

A empresa não informou prazos para solicitar registro do medicamento às autoridades sanitárias. A expectativa é que os dados completos tragam mais detalhes sobre segurança e eficácia em subgrupos específicos de pacientes.

Procurada, a Anvisa não se manifestou até a publicação desta reportagem sobre eventuais pedidos de aprovação da retatrutida no país.

Fonte de referência: Saúde – Metrópoles — https://metropoles.com/saude/ainda-sem-aprovacao-retatrutida-supera-ozempic-em-estudo-clinico

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