Poucos dias após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais, o mercado financeiro já começa a especular sobre quem ocupará o comando do Ministério da Fazenda no próximo mandato. A pasta, considerada uma das mais estratégicas da Esplanada, tem hoje como titular Dario Durigan, que assumiu o posto no início do ano após a saída de Fernando Haddad para disputar o governo de São Paulo.
A principal preocupação do mercado é com a necessidade de ajuste nas contas públicas, especialmente diante das medidas anunciadas por Lula durante a campanha eleitoral. O futuro ministro da Fazenda herdará uma pressão ainda maior do que a enfrentada por Haddad, que chegou ao cargo após a gestão de Paulo Guedes no governo Jair Bolsonaro (PL).
Entre os nomes cotados, o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), aparece como um dos mais mencionados. Ele ganhou projeção durante o segundo turno da campanha presidencial, quando se aproximou de Lula. O Piauí é um estado historicamente importante para o petista, com votação expressiva em eleições passadas.
Fonteles é formado em matemática pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) e foi um dos alunos mais premiados da graduação. Também ocupou os cargos de secretário de Fazenda do estado e de presidente do Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz). Apesar do currículo, ele tem afirmado em entrevistas que não discutiu o assunto com o presidente.
Um possível obstáculo à ida de Fonteles para a Fazenda é sua reeleição em primeiro turno com 70,90% dos votos, o maior percentual obtido por um governador no país. Interlocutores do governo apontam que a saída dele do governo do Piauí exigiria uma articulação política cuidadosa.
Além de Fonteles, outros nomes são cogitados para a chefia da área econômica. O atual ministro Dario Durigan, que já comanda a pasta, é visto como uma opção de continuidade. Também aparece na lista Bruno Moretti, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que poderia acumular a função.
O escritor e consultor de risco Thomas Traumann classificou o cargo de ministro da Fazenda como «o pior emprego do mundo» em livro. A declaração reflete a complexidade da função, que exige equilibrar as demandas do governo com as expectativas do mercado financeiro.
O novo titular da Fazenda terá pela frente o desafio de transmitir credibilidade fiscal, realizar ajustes no orçamento e manter os compromissos assumidos por Lula durante a campanha. A tarefa será ainda mais delicada em um cenário de incertezas econômicas e pressão por parte de diferentes setores da sociedade.
A definição do nome deve ocorrer nas próximas semanas, à medida que o governo eleito começa a montar sua equipe. Até lá, as especulações devem continuar movimentando o mercado e os bastidores políticos em Brasília.
Fonte de referência: Brasil – Metrópoles — https://metropoles.com/brasil/cotados-para-assumir-fazenda

