A mobilização política que marcou a disputa presidencial de 2026 deu lugar a uma proposta diferente após o segundo turno, realizado em 18 de outubro. Apoiadores do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passaram a organizar, em grupos de WhatsApp, uma rede voltada a solteiros que buscam relacionamentos. O nome escolhido para a iniciativa é Ministério do Namoro, uma referência bem-humorada a uma promessa feita pelo próprio Lula durante a campanha de 2022.
Naquela ocasião, o então candidato afirmou que, em seu governo, todos iriam namorar. A declaração gerou uma onda de pedidos nas redes sociais pela criação de uma pasta dedicada ao fim da solteirice. No Dia dos Namorados de 2023, o presidente voltou a brincar com o assunto e pediu desculpas por ainda não ter criado o ministério. A piada, então, inspirou o matemático Lúcio Pires e a jornalista Martchela a criarem, em fevereiro daquele ano, uma página de memes no Instagram.
Três anos depois, a brincadeira ganhou contornos mais concretos. A iniciativa já reúne mais de 18 grupos espalhados pelo Brasil, cada um com mais de mil integrantes. Capitais como Brasília, Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo contam com espaços próprios para os solteiros. A entrada é restrita a maiores de 18 anos, e participantes já relatam encontros marcados a partir das interações nos grupos.
O organizador da rede conta que se inspirou no Exército do Lula, canal de apoiadores do então candidato criado por André Janones (Rede-MG), reeleito deputado federal. A iniciativa reuniu mais de 10 milhões de assinantes antes da definição eleitoral. «Eu estou roubando a ideia do Janones, fazendo desafios. A cada 10 mil pessoas que seguem o canal do Tinder do exército do Lula, a gente libera três grupos», explica.
A administradora Martchela, que chegou a ganhar o apelido de Ministra do Namoro nas redes sociais, vê a criação dos grupos como uma espécie de respiro depois de semanas de intensa dedicação à disputa eleitoral. «Nessa eleição, a gente perdeu a libido, que foi toda para a política. Depois, a gente teve que voltar com a libido para o objeto de desejo um pelo outro, porque a gente perdeu na política, ficamos sem nada», refletiu.
A proposta de aproximar solteiros não é inédita em outros países. Em 2021, o Japão adotou medidas oficiais para tentar reduzir o número de pessoas sozinhas, incluindo programas de incentivo a encontros e relacionamentos. A experiência brasileira, porém, nasce de forma espontânea, aproveitando a estrutura de mobilização política já existente.
A rede de encontros funciona como um desdobramento das articulações digitais que marcaram o pleito. Os grupos utilizam estratégias de mobilização semelhantes às de campanhas políticas, como desafios e metas de adesão para liberar novos espaços. A expectativa dos organizadores é ampliar a iniciativa para outras cidades e regiões do país.
Para os participantes, a iniciativa representa uma forma de manter os laços criados durante a campanha, agora com foco em relações afetivas. A troca de mensagens nos grupos inclui desde apresentações pessoais até relatos de encontros presenciais. A iniciativa chegou a diversas capitais brasileiras e já reúne mais de 18 mil participantes em grupos voltados para solteiros.
O Ministério do Namoro não tem vínculo oficial com o governo ou com o Partido dos Trabalhadores. Trata-se de uma organização independente, criada por apoiadores do presidente eleito, que aproveita o momento pós-eleitoral para propor uma nova forma de interação social. A reportagem procurou os organizadores para obter mais detalhes sobre o funcionamento dos grupos e o alcance da rede.
Fonte de referência: Entretenimento – Metrópoles — https://metropoles.com/entretenimento/ministerio-do-namoro-grupos-de-whatsapp-unem-lulistas-em-busca-de-amor

