A oposição ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) manifestou insatisfação com a forma como a Câmara Municipal de São Paulo tem conduzido a divulgação dos trabalhos da Comissão Especial criada para analisar o pedido de impeachment do emedebista. Segundo parlamentares contrários ao governo, a primeira reunião do colegiado, realizada na última quinta-feira (29/10), não recebeu a mesma publicidade institucional dada a outros eventos da Casa.
A reunião que elegeu o vereador Rubinho Nunes (União) como presidente da comissão e definiu Major Palumbo (PP) como relator não foi divulgada nos canais oficiais da Câmara, diferentemente de outros compromissos realizados no mesmo dia. A oposição aponta que o link da transmissão no YouTube deixou de ficar disponível, o que motivou reclamações de gabinetes.
Em nota, o vereador Hélio Rodrigues (PT), integrante do colegiado, afirmou: «Diferentemente dos demais eventos realizados no mesmo dia, que tiveram registros e divulgação nos canais oficiais da Casa, essa reunião não aparece em nenhuma notícia no site da Câmara. As fotografias que estavam disponíveis no Flickr institucional desapareceram, e o vídeo da transmissão, que deveria permanecer acessível no YouTube, encontra-se indisponível».
Além de Hélio Rodrigues, a oposição conta com a vereadora Luana Alves (PSol) na comissão. Os demais membros são da base aliada de Nunes: Major Palumbo (PP), Rubinho Nunes (União), Sandra Santana (MDB), Sandra Tadeu (PL) e Kenji Ito (Podemos). A composição majoritária favorável ao prefeito indica que o relatório tende a recomendar a não admissibilidade da denúncia.
A próxima reunião da Comissão Especial está marcada para terça-feira (31/10), quando Major Palumbo apresentará seu relatório sobre a admissibilidade do pedido. A expectativa é de que o relator vote contra a admissão da denúncia, posição que deve ser acompanhada pela maioria dos membros. Caso a não admissibilidade seja aprovada, o pedido é arquivado automaticamente, sem necessidade de votação em plenário.
Se, por outro lado, a comissão recomendar a admissibilidade, a denúncia ainda precisará passar pelo plenário da Câmara, onde são necessários 33 votos favoráveis para prosseguir. O pedido de impeachment foi protocolado pelos vereadores Amanda Paschoal (PSol), Silvia Ferraro (PSol) e Celso Giannazi (PSol).
Os parlamentares acusam Nunes de descumprir decisão da Justiça Eleitoral que determinou a disponibilização de 100% da frota operacional de ônibus da capital paulista no domingo do segundo turno das eleições presidenciais. Também citam a denúncia de que o prefeito teria convocado servidores comissionados para trabalhar na campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
Procurada, a Câmara Municipal de São Paulo não se manifestou até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
Fonte de referência: Metrópoles — https://metropoles.com/colunas/vinicius-passarelli/camara-de-sp-esconde-comissao-do-impeachment-de-nunes-e-oposicao-reclama

