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Quioto

Japão realiza primeiro transplante de células-tronco para tratar Parkinson em Quioto

Procedimento inédito no Hospital Universitário de Quioto utilizou células iPS para repor neurônios produtores de dopamina perdidos com a doença de Parkinson.

Foto colorida de uma pessoa jovem segurando mãos de um idosoFoto: FG Trade/Getty Images
RN
Raphael Nogueira Felix
1 de novembro de 202608:13
Atualizado há 4 horas às 11:13

Um paciente com doença de Parkinson foi submetido, pela primeira vez no Japão, a um transplante de células-tronco como parte de uma nova abordagem terapêutica. O procedimento ocorreu neste mês de outubro no Hospital Universitário de Quioto, após aprovação condicional da técnica pelas autoridades sanitárias japonesas. A informação foi confirmada pela farmacêutica Sumitomo Pharma, responsável pelo desenvolvimento do tratamento.

A estratégia utiliza células-tronco pluripotentes induzidas, conhecidas como iPS, que são obtidas a partir de células adultas de doadores saudáveis. Em laboratório, essas células são reprogramadas para retornar a um estágio semelhante ao embrionário, adquirindo a capacidade de se transformar em diferentes tipos de tecido. No caso do Parkinson, elas são direcionadas para se tornarem precursoras dos neurônios que produzem dopamina, neurotransmissor essencial para o controle dos movimentos.

A proposta é repor parte das células perdidas com a doença, em vez de apenas controlar os sintomas. A dopamina desempenha papel central na comunicação entre áreas do cérebro responsáveis pela coordenação motora. Sua redução progressiva provoca tremores, rigidez muscular e lentidão, sintomas clássicos do Parkinson. Os tratamentos disponíveis atualmente ajudam a aliviar essas manifestações, mas não impedem a evolução do quadro.

A aprovação condicional da terapia no Japão ocorreu em março, com base nos resultados de um ensaio clínico que envolveu sete pacientes com idades entre 50 e 69 anos. Os participantes receberam implantes de cinco ou 10 milhões de células em cada lado do cérebro. Durante dois anos de acompanhamento, os pesquisadores não observaram efeitos adversos graves, e quatro dos sete pacientes apresentaram melhora nos sintomas. Esses dados embasaram o processo que levou à autorização temporária do tratamento no país.

A Sumitomo Pharma informou que pretende realizar transplantes em 20 a 30 pacientes até março de 2029. A empresa também conduz um ensaio clínico nos Estados Unidos para avaliar a segurança e a eficácia da terapia em um número maior de voluntários. A aprovação japonesa está vinculada a condições estabelecidas pelas autoridades, o que significa que o procedimento continua sendo monitorado de perto.

Especialistas destacam que os resultados iniciais são promissores, mas ainda é necessário acompanhar os pacientes por mais tempo para confirmar a durabilidade dos efeitos e descartar riscos de longo prazo, como a formação de tumores ou respostas imunológicas indesejadas. A terapia experimental não está disponível como tratamento de rotina e segue em fase de pesquisa clínica.

A doença de Parkinson é uma condição neurodegenerativa que afeta milhões de pessoas no mundo. No Brasil, estima-se que cerca de 200 mil indivíduos convivam com o diagnóstico, segundo dados de entidades médicas. A busca por terapias que possam modificar o curso da doença, e não apenas aliviar os sintomas, tem mobilizado esforços de pesquisa em diversos países.

O caso japonês representa um avanço no campo da medicina regenerativa, ao propor a substituição de células danificadas por outras produzidas em laboratório. No entanto, a técnica ainda é considerada experimental e depende de validação em estudos maiores. A comunidade científica acompanha os desdobramentos do programa japonês, que pode abrir caminho para abordagens semelhantes em outras nações.

Fonte de referência: Saúde – Metrópoles — https://metropoles.com/saude/japao-inicia-transplante-de-celulas-tronco-para-tratar-parkinson

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