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Toxina de bactéria intestinal usa proteína claudina-4 para danificar cólon, aponta estudo

Pesquisa da Universidade Johns Hopkins identificou mecanismo pelo qual a toxina BFT, da Bacteroides fragilis, ataca células intestinais; em camundongos, isca proteica bloqueou o dano.

magicmine/Getty Images
RN
Raphael Nogueira Felix
1 de novembro de 202607:44
Atualizado há 5 horas às 10:44

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, desvendou o mecanismo pelo qual uma toxina produzida por certas variedades da bactéria Bacteroides fragilis consegue atingir as células do intestino e favorecer o desenvolvimento de tumores no cólon. Os resultados foram publicados em 22 de abril na revista científica Nature.

A bactéria Bacteroides fragilis pode ser encontrada no intestino de até 20% das pessoas saudáveis, e sua presença isolada não indica risco de câncer. O que os cientistas investigam são variedades específicas que produzem a toxina BFT, substância capaz de comprometer a integridade do tecido intestinal.

A equipe identificou que a toxina BFT se liga a uma proteína chamada claudina-4 para se prender às células do cólon. A partir dessa descoberta, os pesquisadores desenvolveram uma proteína que atua como uma isca, atraindo a toxina antes que ela alcance as células intestinais.

Em experimentos com camundongos, essa estratégia protegeu o tecido intestinal dos danos provocados pela substância. Ainda não há comprovação de que o método possa prevenir o câncer em seres humanos, o que exigirá novas etapas de pesquisa.

A toxina BFT pode danificar a E-caderina, proteína responsável por manter as células intestinais unidas e preservar a barreira que protege o cólon. Quando essa estrutura é comprometida, podem ocorrer inflamação e alterações no tecido que favorecem o crescimento de tumores. A relação entre a toxina e o câncer colorretal já era investigada desde 2009, mas não se sabia como a BFT conseguia alcançar a E-caderina.

O novo estudo aponta a claudina-4 como a proteína que permite essa ligação inicial, esclarecendo uma etapa do processo que até então permanecia desconhecida. A descoberta abre caminho para estratégias que busquem interceptar a toxina antes que ela cause danos ao epitélio intestinal.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer é um dos principais problemas de saúde pública no mundo e figura entre as quatro principais causas de morte antes dos 70 anos em diversos países. A identificação precoce da doença aumenta as chances de recuperação, embora muitos tumores não apresentem sintomas em estágios iniciais.

Os pesquisadores ressaltam que os resultados são preliminares e se limitam a modelos animais. A eventual aplicação da estratégia em humanos depende de estudos clínicos que comprovem segurança e eficácia, processo que costuma levar anos.

A pesquisa reforça a importância de compreender as interações entre a microbiota intestinal e o organismo, tema que tem atraído crescente interesse científico. Novos trabalhos devem investigar se o bloqueio da toxina BFT pode, de fato, reduzir o risco de câncer colorretal em pessoas.

Estudo descobre como bactéria intestinal pode favorecer câncer de cólon - destaque galeria
Estudo descobre como bactéria intestinal pode favorecer câncer de cólon - destaque galeria

Fonte de referência: Saúde – Metrópoles — https://metropoles.com/saude/estudo-descobre-como-bacteria-intestinal-pode-favorecer-cancer-de-colon

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