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Vacina experimental contra câncer de pâncreas induz resposta imune em quase todos os pacientes

Ensaio clínico de fase 2 com 144 voluntários mostrou ativação de células de defesa em 98,9% dos avaliados, mas ainda não comprova redução de recidiva ou aumento de sobrevida.

SEBASTIAN KAULITZKI/SCIENCE PHOTO LIBRARY/Getty Images
RN
Raphael Nogueira Felix
1 de novembro de 202608:17
Atualizado há 4 horas às 11:17

Um imunizante em desenvolvimento contra o câncer de pâncreas despertou reação do sistema imunológico em 98,9% dos pacientes que receberam as doses e puderam ser analisados, de acordo com um ensaio clínico de fase 2 publicado em 23 de outubro na revista Nature Medicine. Os participantes haviam passado por cirurgia e quimioterapia antes da aplicação.

Apesar do índice elevado de resposta imune, o estudo ainda não comprovou que a vacina seja capaz de diminuir a chance de o tumor voltar ou de prolongar a vida dos pacientes. Os pesquisadores destacam que esses desfechos clínicos serão investigados em etapas seguintes.

A substância testada, chamada camupepimut, foi formulada para treinar as células de defesa a identificar sete mutações frequentes no gene KRAS, presente em cerca de 90% dos casos de adenocarcinoma ductal pancreático, o tipo mais comum da doença. Esse tipo de câncer tem alta taxa de recidiva mesmo após o tratamento inicial.

O ensaio reuniu 144 pacientes com câncer de pâncreas associado a mutações no KRAS. Todos haviam sido operados e submetidos à quimioterapia, sem sinais visíveis da doença em exames de imagem no início da pesquisa. Os voluntários foram divididos aleatoriamente: 96 receberam a vacina e 48 formaram o grupo de controle.

Entre os vacinados, 90 puderam ser avaliados quanto à resposta imunológica. Desses, 98,9% apresentaram aumento da atividade das células T contra as mutações do KRAS — células que fazem parte do sistema de defesa e ajudam a reconhecer e combater ameaças, incluindo células cancerígenas. Em mais de 80% dos participantes analisados, a resposta das células T foi pelo menos nove vezes maior do que antes da vacinação.

Para Ben George, oncologista da Clínica Mayo e primeiro autor do estudo, o resultado indica que a vacina conseguiu ensinar o sistema imunológico a reconhecer as alterações genéticas presentes nas células tumorais. A pesquisa, no entanto, não mediu se essa resposta se traduz em benefício clínico direto para os pacientes.

O câncer é um dos principais problemas de saúde pública no mundo e figura entre as quatro principais causas de morte antes dos 70 anos em diversos países, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). O diagnóstico precoce aumenta as chances de recuperação, o que reforça a importância de acompanhamento médico e atenção a sintomas persistentes.

Os responsáveis pelo estudo planejam um ensaio clínico de fase 3 para investigar a eficácia da camupepimut e possíveis vantagens clínicas, como redução do risco de retorno do tumor ou aumento da sobrevida. A fase 3 é a etapa que antecede a eventual aprovação de um imunizante para uso comercial.

A vacina ainda está em fase experimental e não está disponível para pacientes fora de estudos clínicos. Informações sobre prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer de pâncreas devem ser buscadas junto a profissionais de saúde e serviços especializados.

Fonte de referência: Saúde – Metrópoles — https://metropoles.com/saude/vacina-contra-cancer-de-pancreas-gera-resposta-imune-em-99-dos-pacientes

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